O Mundial movimenta R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, mas o impacto não chega igual para todos os setores. Entenda o que muda para lojas de móveis e fábricas.
A Copa do Mundo de 2026 começou em 11 de junho e vai até 20 de julho: 39 dias de torneio realizados nos EUA, Canadá e México, com jogos em horários mais acessíveis para o público brasileiro do que nas edições anteriores.
Segundo projeção da CNC, o torneio deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo nacional, crescimento real de 6,5% em relação à edição de 2022. Mas esse dinheiro não se distribui igualmente entre os setores.
Quem concentra o consumo
Alimentos, bebidas e artigos esportivos dominam o período. Supermercados e hipermercados devem responder por quase 70% do total movimentado, cerca de R$ 3,97 bilhões. Vestuário e acessórios aparecem em segundo lugar, com 18,5% das vendas. Móveis e eletrodomésticos ficam com R$ 80,2 milhões, menos de 2% do volume total projetado.
O crédito mais caro explica parte desse cenário. Com a Selic em 14,5% ao ano e juros para pessoa física acima de 61% ao ano, o consumidor recua nas compras que exigem parcelamento e concentra o gasto no consumo imediato.
O que muda para lojas de móveis e fábricas
Lojas de móveis e itens de maior valor tendem a perder fluxo nos dias de jogo. O consumidor adia decisões de compra que exigem mais atenção e planejamento. Com jogos distribuídos ao longo de 39 dias, esse comportamento se repete de forma consistente durante todo o torneio.
O reflexo chega às fábricas pelo ritmo de pedidos. Quando as lojas reduzem o fluxo de clientes, a tendência é segurar novos pedidos e trabalhar com o estoque já disponível. O efeito não é catastrófico, mas é previsível, e operações que antecipam esse movimento se posicionam melhor para o período pós-Copa.

