O mercado segue revisando os juros para cima. Com Selic em 14,5% ao ano e expectativa de encerrar 2026 acima de 13,5%, o crédito caro continua pesando na operação de quem produz e vende móveis.
Na segunda semana de junho, o Boletim Focus do Banco Central revisou a expectativa para a Selic pela segunda semana seguida, projetando 13,5% ao fim de 2026. Desde então, as revisões continuaram: o Focus de 22 de junho aponta 14% ao ano como nova mediana para o encerramento do ano. A taxa atual está em 14,5% ao ano.
O sinal que o mercado está enviando é consistente: os juros devem cair menos do que se esperava, e mais devagar.
O que crédito caro por mais tempo significa na prática
Para quem opera no setor moveleiro, a Selic elevada não é só uma notícia macroeconômica. Ela aparece no dia a dia da operação em pelo menos três pontos:
Custo de estoque. Financiar matéria-prima e produtos acabados fica mais caro. Capital parado em estoque tem um custo real, e esse custo sobe junto com os juros.
Prazo com fornecedor. Negociar prazo de pagamento ao fornecedor pesa mais no fluxo de caixa quando o dinheiro no mercado está caro. A pressão sobre o capital de giro aumenta.
Tabela de preços desatualizada. Fábrica que opera com tabela sem revisão frequente perde margem sem perceber. O custo sobe por dentro, o preço vendido fica para trás.
O que está no horizonte
Os três pontos acima, custo de estoque, prazo com fornecedor e tabela de preços, não dependem só do que o Banco Central decide. Dependem de como cada operação está organizada para absorver variações de custo sem perder margem. Juros em queda ou em alta, fábrica que não tem visibilidade sobre seus números em tempo real reage sempre tarde.

